Diário de bordo escrito por alysson amancio
Esta semana tenho que escrever um
Projeto para o edital do Dragão do Mar, tenho reunião de coordenação do curso
de teatro, tenho que ler e devolver o TCC corrigido para o meu orientando Edceu Barbosa,
tenho que estudar para uma prova de doutorado, tenho que ministrar as aulas de
balé para a minha companhia, (comuniquei aos bailarinos que esta semana apenas daria aula e eles ensaiariam sozinhos sem a minha presença) tenho que fazer a feira de casa, tenho que montar
um solo para Gilsamara Moura e o meu solo para o mesmo trabalho (In)falíveis...
Na vida contemporânea, luxo mesmo é calmaria, ficar em casa sem ter o que fazer, sem atender celular, sem ler mensagens no whatsapp, sem responder emails, apenas ficar deitado, lendo livro, vendo bobagens na televisão, comer, dormir, namorar, dormir novamente... A inércia muitas vezes é um sonho almejado mas a realidade é completamente diferente e mediante, as múltiplas tarefas
supracitadas, pensei muitas vezes em escrever para Gilsamara e pedir para adiarmos o nosso encontro, primeiro ensaio dia 11 de março de 2016 para outro momento. No entanto, me dei conta, não é
justamente sobre essa turbulência vivida na vida de um
artista-professor-pesquisador que queremos abordar no espetáculo (In)Falíveis? Não
seriam estas algumas das nossas questões? Como criar no meio do caos? Como não deixar
o artista morrer dentro da Academia? Como continuar dançando depois de certa
idade?
Iniciei o trabalho pratico a partir das tarefas acordadas com o solo para
Gilsamara, não sei explicar, mas tenho dificuldade de me coreografar, prefiro criar para o outro todavia
este não foi o único obstáculo, depois de alongar e comecei a dá os primeiros
passos, tive outra constatação, estou completamente fora de forma, sem resistência,
me sentindo gordo, pesado e feio dançando. Realidade? Baixa estima? Isso é o fato ou é algo cultural? Se eu me sinto feio dançando é por que a dança na
minha trajetória me fez ter outra referencia de beleza cênica. Mas isso é a
dança ou o que eu penso da dança?
Não tenho a mínima ideia de como
estes questionamentos podem entrar no trabalho, mas estou animado, vai ser o
primeiro duo que eu trabalho com uma mulher em cena, não conheço Gilsamara cenicamente, ela também
não me conhece, é tudo novo e a despeito do caos cotidiano, do medo, da
incerteza a vontade de voltar a dançar e o amor por esta arte fala mais alto.
Vamos
nós, amanhã tem mais ensaio para mostrar este material a Gilsa na sexta.
Podemos até fracassar,
mas vamos sempre tentar...
PS: texto escrito e publicado sem correções
alysson amancio
07/03/2016

Essa semana tenho de fazer pequena coreografia para projeto (In)Falíveis, tenho banca de qualificação e nem comecei a ler o trabalho, tenho de fazer mercado, dar aulas de Estudos do Corpo no Noturno, dar aula no PPGAC, malhar para emagrecer, acompanhar a pós-doutoranda Ivana Menna Barreto, namorar e amar meu maridão, preparar curso para Reciclarte (Recife com a querida Mônica Lira)...
ResponderExcluirTambém tenho muita dificuldade de me coreografar.
Lancei (lancei-me) o Edital Mais Simples do Mundo, via Facebook, para arriscar e provocar. Uns loucos apareceram e nossa aventura começa aí. Alysson é um deles, talvez o mais louco e corajoso, porque está persistindo.
Neste momento, estou assistindo o programo DISCOREOGRAFIA, com Elisabeth Finger, entrevistando Ney Matogrosso. Acho que está me motivando tanto que vou disparar pra dançar e chacotear a baixa-estima. Wonder Woman. Sou essa agora. Gilsamara madura, com muitos compromissos institucionais e morta de desejo artístico.
E parafraseando meu amigo Alysson:
¨Podemos até fracassar,
mas vamos sempre tentar...¨
Afinal somos InFalíveis.
corrigindo: chicotear (com chicote dourado)
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